
Luz, Câmera Caatinga
O projeto Luz, Câmera, Caatinga! nasce de uma pesquisa desenvolvida por Fernando Pereira de Araújo sobre o uso da luz natural da Caatinga nas produções audiovisuais realizadas no Sertão do São Francisco. A partir de uma investigação que teve início durante a especialização em Cinema e Linguagem Audiovisual, o projeto busca compreender como a luz do semiárido nordestino influencia estética e narrativamente o cinema produzido na região, revelando suas singularidades visuais, simbólicas e culturais.
A pesquisa analisa filmes realizados no Vale do São Francisco e propõe uma reflexão crítica sobre a representação do sertão no audiovisual brasileiro, historicamente marcada por imagens de seca, escassez e miséria. Ao investigar a luz da Caatinga como linguagem cinematográfica, o projeto aponta para novas possibilidades de construção imagética do território, valorizando suas potências visuais, humanas e culturais.
Como resultado, foi produzido o livro Luz, Câmera, Caatinga!, publicação que reúne análises fílmicas, referências teóricas e experiências práticas relacionadas à direção de fotografia e ao cinema no semiárido. Além da versão impressa, o projeto também disponibiliza a obra em formatos acessíveis, incluindo e-book, audiobook e versão em Braille, ampliando o acesso ao conteúdo e promovendo acessibilidade comunicacional.
Comprometido com a democratização do conhecimento, o projeto realizará a distribuição gratuita de exemplares para escolas, bibliotecas e instituições culturais. A versão em Braille será destinada a uma instituição que atua com pessoas com deficiência visual, enquanto o audiobook encontra-se disponível no site da Abajur Soluções.
Realizado em Petrolina-PE, o projeto também fortalece a cadeia produtiva cultural local ao contratar profissionais da região para as diferentes etapas de execução, estimulando a economia criativa e incentivando a produção de conhecimento no interior de Pernambuco.
Sobre o Livro
"Luz, Câmera, Caatinga!" é um mergulho na potência estética e narrativa da luz no cinema, com um olhar atento às singularidades do semiárido nordestino. A partir de uma trajetória prática e investigativa, a obra articula teoria e experiência para compreender como a luz, especialmente a luz natural da Caatinga, ultrapassa sua função técnica e se afirma como linguagem. Ao revisitar o cinema brasileiro, sobretudo o Cinema Novo, o livro propõe uma reflexão crítica sobre as imagens historicamente construídas do sertão, muitas vezes marcadas por estereótipos. Em diálogo com produções contemporâneas do Vale do São Francisco, o autor investiga novas possibilidades de representação, evidenciando a riqueza estética, cultural e simbólica da região. Mais do que iluminar cenas, a luz aqui revela outras formas de ver, narrar e sentir o sertão.


é diretor audiovisual, diretor de fotografia e montador. Licenciado em Artes Visuais pela UNIVASF e especialista em Cinema e Linguagem Audiovisual, atua há mais de uma década no campo do audiovisual no sertão nordestino.


